A língua Brasileira de Sinais – LIBRAS é
uma língua que usa os gestos como modalidade de comunicação, usando as mãos, as
expressões faciais e o corpo. Qualquer comunidade falante utiliza a língua
materna para se comunicar, no caso dos surdos, utilizam a LIBRAS como língua
mãe. Sendo assim, podemos concluir que a Língua Brasileira de Sinais é natural
como qualquer outra língua materna, que acontece no contato com seus falantes,
ou seja, nas comunidades surdas.
Todos nós sabemos que em toda língua há
variações, seja dialetal, fonológico entre outros. No caso da LIBRAS não é
diferente, existem as variações nos gestos, que são chamados de “sinais
emergentes” ou “sinais caseiros” dos sujeitos surdos que vivem em zonas rurais
ou isolados da comunidade surda, e se comunicam criando sinais, a partir das
vivências do cotidiano.
Apesar das variações da Língua
Brasileira de Sinais, existe um problema que condiciona o desenvolvimento da
criança surda, que é o meio a qual ela nasce e se desenvolve. Para exemplificar
de maneira clara, tomaremos como exemplo (suposição) o nascimento e o
desenvolvimento de uma criança surda, primeiro, com pais surdos, segundo, com
pais falantes. Obviamente, os pais surdos irão aceitar a criança surda com naturalidade,
isto é, não haverá dificuldade alguma para se comunicarem. Essa criança irá
desenvolver de forma natural e rápida a linguagem materna a qual está inserida
(LIBRAS). A segunda criança, traz consigo a complexidade de interação com os
pais. Quando os pais percebem que a criança é surda, ficam logo aborrecidos,
pois não sabem se comunicar usando a língua de sinais, quando essa criança
tiver contato com a comunidade surda, certamente irá desenvolver a língua de
sinais de forma lenta.
Para uma melhor adaptação de indivíduos
surdos nas salas de aula, a sociedade brasileira passou a (re)pensar o modo de
inserção de pessoas com tal deficiência no meio escolar, assim como existem os
problemas de adequação na própria família, existem problemas maiores ainda na
forma de ensino para deficientes auditivos. Pensando nessa problemática foram
formuladas e federalizadas as leis de assistência aos surdos mudos no país,
garantindo os direitos de comunicação entre os mesmos.
No decurso das aulas foi discutida a
evolução da comunicação/interação entre os surdos na sociedade brasileira.
Desde o século XIX, têm-se essa preocupação em adequar uma língua própria às
pessoas com deficiência auditiva, e ao longo dos anos foram se adaptando para a
melhor funcionalidade dos indivíduos. Durante alguns anos o método da Língua de
Sinais deixou de ser o foco central, dando espaço a oralidade, acreditava-se
que era de maior importância a oralidade e não tanto os sinais.
Depois de um século e meio sendo
adormecida a comunicação pelos sinais, percebeu-se o fracasso no processo de
ensino-aprendizagem através da oralidade, em que uma maioria continuou com
deficiências enormes na comunicação e uma pequena minoria obteve êxito. Nesta
perspectiva, analisando a não adequação da língua oral aos surdos, surge como
necessidade o desenvolvimento de uma Língua de Sinais que expressasse, de fato,
e de maneira adequada a necessidade comunicativa de tais indivíduos. Atentando
também para a pluralidade cultural, o tema em voga ultrapassa as limitações e
abre os caminhos para novas possibilidades.
A partir dos anos 1990, a Libras
volta a predominar, e já no século XXI, em 2002, a Lei 10.436 é regulamentada
em âmbito nacional e federaliza uma necessidade dos surdos no Brasil, a Língua
Brasileira de Sinais – LIBRAS. Através dessa lei, a língua de sinais passa a
ser um componente curricular obrigatório nos cursos de
Licenciatura; existem profissionais especializados nas instituições de ensino
superior e fundamental – quando houver a necessidade/demanda –, as instituições
de ensino passam a ter a obrigação de oferecer as pessoas surdas a
acessibilidade a comunicação, entre outros pontos.
Muito
mais do que a formulação/execução de mais uma lei, a mesma reconhece um direito
importante aos surdos, e garante a igualdade entre os indivíduos com tal
necessidade especial. Entendendo os surdos nas suas particularidades e
potencialidades. Não deixa dúvidas, que as escolas e universidades ainda
apresentam grandes deficiências na adequação/execução da lei descrita anteriormente,
- falta a estrutura adequada, e por vezes até profissionais especializados – ,
ainda é um desafio adequar os conteúdos curriculares de forma igualitária a
todos os ouvintes e fazer com que os alunos e suas diferentes necessidades
consigam ser atendidos na escola, mas reconhecemos o salto que já foi dado,
através das leis, rumo a uma sociedade melhor preparada para lidar com as
diferenças.